Os primeiros minutos em seguida a um acidente de trânsito
podem ser determinantes no destino das vítimas. É
preciso agir rápido, prestando de imediato os primeiros socorros
aos acidentados. Por outro lado, um atendimento de emergência
mal feito pode comprometer ainda mais a saúde das vítimas.
Sempre que possível, deve-se deixar que o socorro seja prestado
por uma equipe especializada. Nas principais cidades brasileiras,
um serviço ágil vem sendo prestado pela Emergência
do Corpo de Bombeiros, que atende através do telefone número
193. Em alguns casos, a equipe chega ao local do acidente em alguns
minutos. É composta por socorristas e paramédicos
bem preparados. O equipamento inclui ambulâncias de UTI móvel.
Portanto, ao presenciar um acidente tome as seguintes providências:
1. Ligue para 193 de qualquer telefone, aparelho celular ou orelhão
(não é preciso cartão).
2. Informe com precisão o local do acidente e os veículos
envolvidos. Informe sobre as condições de trânsito
no local.
3. Tranqüilize as vítimas que estiverem conscientes informando
que o socorro já está a caminho.
4. Preste os primeiros socorros que estiverem ao seu alcance até
a chegada da equipe de resgate.
Enquanto aguarda o socorro - ou nos casos em que não seja possível
contactar uma equipe de resgate - deve-se proceder à prestação
dos primeiros socorros.
Comece sinalizando o local do acidente, para evitar o agravamento da situação
e de modo a dar segurança a quem presta o socorro.
1. Acione o pisca-alerta dos veículos próximos ao local;
2. Defina a melhor colocação do triângulo;
3. Erga a tampa do capuz e porta-malas dos veículos próximos
do local;
4. Espalhe alguns arbustos ou folhas de árvores no leito
da via.
A seguir são apresentadas algumas técnicas simples de
primeiros cuidados a serem prestados em caso de acidentes.
1. Respiração artificial
Chama-se respiração artificial ao processo mecânico
empregado para restabelecer a respiração que deve ser ministrado
imediatamente, em todos os casos de asfixia, mesmo quando houver parada
cardíaca. Os casos da asfixia começam com uma parada respiratória
e podem evoluir para uma parada cardíaca. Garantindo-se a oxigenação
pulmonar, há grande probabilidade de reativação do
coração e da respiração.
A respiração artificial só obterá êxito
se o paciente for atendido o mais cedo possível. Não se
deve esperar condução para levá-lo a um centro médico
ou esperar que o médico chegue. Se o paciente for atendido nos
primeiros 2 minutos, a probabilidade de salvamento será de 90%.
Portanto, o atendimento deve ser feito de imediato, no próprio
local do acidente e por qualquer pessoa presente.
Não se deve interromper a respiração
artificial em um acidentado asfixiado até a constatação
da morte real, que só pode ser verificada por um médico.
Respiração Artificial Boca-a-Boca
Como o nome indica, trata-se de uma técnica simples em que o socorrista
procura apenas encher os pulmões do acidentado, soprando fortemente
em sua boca.
Para garantir a livre entrada de ar nas vias respiratórias a cabeça
do acidentado tem que estar na posição adequada. Importante:
o pescoço deve ser erguido e flexionado para trás.
Em seguida, com ajuda dos polegares, deve-se abrir a boca do socorrido.
Feito isso, inicie o contato boca-a-boca, descrito a seguir:
1. Mantendo a cabeça da vítima para trás, aperte
as narinas para evitar que o ar escape.
2. Coloque a boca aberta sobre a boca do paciente, e sopre com força
até notar a expansão do peito a vítima.
3. Afaste a boca para permitir a expulsão do ar e o esvaziamento
dos pulmões do acidentado.
4. Repita a manobra quantas vezes for necessário, procurando manter
um ritmo de 12 respirações por minuto.
Em casos de asfixia por gases ou outros tóxicos, não é
aconselhável usar o método boca-a-boca, pelo perigo
de envenenamento do próprio socorrista.
Em casos de ferimentos nos lábios, pratique o método boca-a-nariz.
Esse método é quase igual ao boca-a-boca, com a diferença
de exigir o cuidado de fechar a boca do acidentado enquanto se sopra por
suas narinas.
Parada Cardíaca
A asfixia pode ser acompanhada de parada cardíaca. Nesses casos
graves deve-se tentar reanimar os batimentos cardíacos por meio
de um estímulo exterior, de natureza mecânica, fácil
de ser aplicado por qualquer pessoa.
A parada cardíaca é de fácil reconhecimento, graças
a alguns sinais clínicos, tais como:
- inconsciência;
- ausência de batimentos cardíacos;
- parada respiratória;
- extremidades arroxeadas;
- palidez intensa;
- dilatação das pupilas.
A primeira providência antes da chegada do médico, é
a massagem cardíaca. Trata-se da compreensão ritmada do
tórax do paciente, na altura do coração, por efeito
de pressão mecânica. Em casos de asfixia, o exercício
pode - e deve - ser combinado com a respiração artificial
boca-a-boca e deve ser realizado continuamente até a chegada do
médico ou no caso de morte comprovada da vítima.
2. Técnica de massagem cardíaca
1. Deite o paciente de costas, sobre uma superfície plana;
2. Faça pressão sobre o esterno, para comprimir o coração
de encontro ao arco costal posterior e à coluna vertebral;
3. Descomprima rapidamente;
4. Repita a manobra, em um ritmo de 60 vezes por minuto, até batimentos
espontâneos ou até a chegada do médico.
3. Ressucitação cardiopulmonar
As finalidades da ressuscitação cardiopulmonar são:
1. Irrigação imediata, com sangue oxigenado, dos órgãos
vitais (cérebro, coração e rins), através
de técnicas de ventilação pulmonar e massagem cardíaca.
2. Restabelecimento dos batimentos cardíacos.
- A RCP realizada por 1 socorrista consta de:
15 compressões por 2 insuflações
- A RCP realizada por 2 socorristas consta de:
5 compressões por 1 insuflação.
O ABC da Vida
A - abertura das vias aéreas;
B - boca-a-boca (respiração artificial);
C - circulação artificial (massagem cardíaca externa).
4. Hemorragia
Hemorragia é a perda de sangue por rompimento de
um vaso, que tanto pode ser uma veia quanto uma artéria.
Qualquer hemorragia deve ser controlada imediatamente.
Hemorragias abundantes podem levar a vítima à morte em 3
ou 5 minutos se não forem controladas.
Em caso de hemorragia não perca tempo!
Para estancar a hemorragia:
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- Aplique uma compressa limpa de pano, lenço,
toalha ou gaze sobre o ferimento e pressione com firmeza. Use uma
tira de pano, atadura, gravata ou cinta para manter a compressa
firme no lugar.
- Se o ferimento for pequeno estanque a hemorragia
com o dedo, pressionando-o fortemente sobre o corte.
- Se o ferimento for em uma artéria, ou em
um membro, pressione a artéria acima do ferimento para interromper
a circulação, de preferência apertando-a contra
o osso.
- Se o ferimento for no antebraço, flexione
o cotovelo da vítima e coloque na sua articulação
um objeto duro para interromper a circulação.
- Quando o ferimento for nos membros inferiores,
pressione a virilha ou a face interna das coxas, no trajeto da artéria
femural. Flexione o joelho da vítima, colocando antes um
objeto duro no ponto de flexão.
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Em caso de hemorragia abundante em braços
ou pernas, aplique um torniquete, sobretudo se houve amputação
parcial pelo acidente.
O torniquete pode ser
improvisado com um pano resistente, uma borracha ou um cinto. Aja
da seguinte maneira:
1. Faça um nó e enfie um pedaço
de madeira entre as pontas, aplicando outros nós para fixá-lo.
2. Faça uma torção do graveto de madeira até
haver pressão suficiente da atadura para interromper a circulação.
3. Fixe o torniquete com outra atadura e marque o tempo de interrupção
da circulação. Atenção: não use
arames ou fios finos. FIGURA
4. Deixe o torniquete exposto. Não o cubra.
Marque o tempo de interrupção da circulação.
A cada 15 minutos, desaperte o torniquete com cuidado. Se a hemorragia
parar, deixa-se o torniquete no lugar, porém frouxo, de forma
que possa ser apertado no caso de o sangue voltar.
Se o paciente tiver sede, deve-se dar-lhe de beber,
exceto se houver lesão no ventre ou se estiver inconsciente.
Se as extremidades dos dedos da
vítima começarem a ficar arroxeadas e frias,
afrouxe um pouco o torniquete. Mas apenas pelo tempo suficiente
para restabelecer um pouco o fluxo sangüíneo.
Depois volte a apertar o torniquete.
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5. Transporte de acidentados
A remoção ou movimentação de um acidentado
deve ser feita com o máximo cuidado para não agravar as
lesões existentes. Antes de transportar o paciente, devem-se tomar
as seguintes providências:
1. Controle a hemorragia. Na presença de hemorragia abundante,
a movimentação da vítima pode levar rapidamente ao
estado de choque.
2. Se houver parada respiratória, inicie imediatamente a respiração
boca-a-boca.
3. No caso de parada circulatória, faça massagem cardíaca
associada à respiração artificial.
4. Imobilize as fraturas.
Para a condução do paciente, pode-se improvisar uma padiola
razoável amarrando-se cobertores dobrados em duas varas resistentes.
Uma tábua larga também pode ser utilizada para o transporte,
como o auxílio de várias pessoas.
Para erguer do chão um acidentado, três ou quatro pessoas
serão necessárias, sobretudo se houver suspeita de fraturas.
Nesses casos, amarre os pés do acidentado e o erga em posição
horizontal, como um só bloco, levando-o até a maca.
No caso de uma pessoa inconsciente, mas sem evidência de
fraturas, duas pessoas bastam para o levantamento e o transporte.
Lembre-se sempre de não fazer movimentos bruscos.
MUITO IMPORTANTE
1. Movimente o acidentado o menos possível;
2. Evite arrancadas bruscas ou súbitas paradas durante o transporte;
3. Mantenha a calma. O transporte deve ser feito sempre em baixa velocidade.
É mais seguro e mais cômodo para o paciente;
4. Não interrompa, sob nenhum pretexto, a respiração
artificial ou a massagem cardíaca, se estas forem necessárias.
Nem mesmo durante o transporte.
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